quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Divindade ÈSÚ

"Èṣú ó ó ni yágo loa
 Mo fori balé oo”.

 ÈṢÚ, abre- me os caminhos
 Eu me prosto em reverência". (Mestre Didi  (1917-2013)

ÈṢÚ foi o primeiro ser criado por DEUS. Nasceu do sopro Divino de ÒLÒDUMÁRÈ sobre um monte de barro.
ÈṢÚ também está ligado ao culto de`ỌRÚNMÌLÀ. É a Divindade do movimento, ÒRÌṢÀ guardião dos templos, casas, cidades, das pessoas e mensageiro divino dos oráculos.  É o ÒRÌṢÀ da comunicação, da paciência, da ordem, da disciplina e do comportamento humano. "Sem ÈṢÚ, tudo estaria parado”. É ele quem abre as portas para levar o ẹbọ (oferenda) para o Òrún, é ele quem faz a conexão deste mundo com outro mundo. ”E como princípio dinâmico, é uma divindade neutra"( antropóloga Juana Elbein dos Santos).
Nada acontece sem Ele; para caminharmos, para o fluxo sanguíneo bombear o coração, o movimento da Terra e das marés, enfim, tudo iria parar se não houvesse movimento causado por ÈṢÚ. Ele também é o responsável pela transmissão do poder através da fala. Ele é quem dá aos sacerdotes e sacerdotisas o poder de acionar as forças espirituais através das evocações sagradas: preces, encantações, cânticos. Sendo guardião do sistema divinatório de `ỌRÚNMÌLÀ; ÈṢÚ fica presente nas consultas ao Oráculo e  passa a falar em nome de todos os ÒRÌṢÀ trazendo as respostas em forma de bênçãos ao consulente, por ser Ele é o intermediário entre os seres humanos e as potências Divinas (Falade Fatunby).  Sem a participação dessa DIVINDADE as respostas interpretadas pelo sacerdote seriam ininteligíveis para os seres humanos. É Ele quem acompanha atentamente as atitudes e palavras tanto do sacerdote quanto do consulente, principalmente quanto à sinceridade de cada um no momento.  È também quem fiscaliza todos os procedimentos desde a consulta até as oferendas. Ele, é quem transporta as oferendas para o mundo espiritual (ÒRÚN) e, se forem aceitas, traz de volta a resposta Divina na forma de BENÇÃO solicitada pelo cliente. ( Falade Fatunmbi)O aposento de ÈṢÚ tem de ser colocado na frente  da casa de aṣé, nunca deve estar atrás. ÈṢÚ é LIDER e se aborrece se for relegado.
Não existe nenhum ÒRÌṢÀ sem a companhia de ÈṢÚ.  ÈṢÚ é o ÌRÙNMOLÈ que leva todos os sacrifícios para que os propósitos cheguem ao lugar indicado. Por isso Ele é indispensável nas atividades diárias dos homens e dos ÒRÌṢÀ.
A palavra ÈṢÚ significa “esfera” não tem início e nem fim. Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir sua função de mensageiro.

ÈṢÚ é o senhor do dinheiro, porque ele sabe que para viver com certa dignidade o seu humano precisa deste vil metal. ÈṢÚ é sempre o primeiro a ser invocado, é o senhor do dendê; é ele quem carrega o dendê na peneira. Ele conhece todas as nossas reencarnações. É o dono da lei do retomo, pois é exatamente a Sua função, fazer a lei acontecer. Dentro destas atribuições de cobrança espiritual e material encontra-se sempre a chance de todos se arrependerem, pagarem por seus erros e tomarem outro caminho na vida. Se isto não acontecer nesta encarnação, poderá ser resgatada numa próxima.
 É ÈṢÚ quem abre os portais do mundo Invisível (Òrún). “Falar de ÈṢÚ
não é tarefa fácil”.  Nesta caminhada foi desenhado de muitas formas e foi chamado de inúmeros nomes: no Jardim do Éden, foi injustiçado, pois fizera dele a  serpente que introduziu o primeiro pecado no seio da humanidade.( Andir Souza). Ao longo dos séculos foi vitimado com os nomes: diabo, demônio, Lúcifer, Mefistófeles, Satanás etc....Informamos que na nossa religião, não existem diabos ou Divindades encarregadas de coisas ruins. No entanto, como tudo no universo possui de um modo geral dois lados, positivo e negativo, ÈṢÚ também funciona de forma positiva quando é bem tratado. Daí ser  considerado ÈṢÚ  o mais humano dos orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano, que é, de um modo geral, mutante em suas ações e atitudes ( Wikipédia). Coisas boas ou ruins são inerentes aos seres humanos. Pelo pincel do pintor criaram um monstro. A infâmia e o mau gosto do artista lhe fez uma mistura de homem e besta com longos chifres, pés de cabra, com isso o pintor afrontou o Próprio Criador (OLÒDÚMÁRE), pois foi ÈṢÚ sua primeira criação. São mais ou menos mil setecentos e quinze anos que as igrejas não espiritualizadas, vem levianamente massificando  o subconsciente da humanidade, dizendo que ÈṢÚ é o diabo, isso se propagou e se perpetuou. Sabemos que o cristianismo era uma religião dominante, seus padres, pastores ...eram tidos como sábios e foi fácil dominar as mentes humanas denegrindo a imagem de ÈṢÚ e portanto denegrindo as religiões espiritualizadas.           *(Sociedade Espiritualista Edmundo Rodrigues Ferro)

Fontes:
·                    FERREIRA, Gilberto Antonio de Exu. Exu, a pedra primordial da teologia ioruba
·                    FONTENELLE, Aluizio. Exu. Rio de Janeiro, Espiritualista, s.d.
·                    FREITAS, João de. Exu na Umbanda. Rio de Janeiro: Editora Espiritualista.
·                    MAGGIE, Ivonne. Medo do feitiço: relações entre magia e poder no Brasil. Rio de Janeiro, Arquivo Nacional.
·                     TRINDADE, Liana. Exu, poder e perigo. São Paulo, Ícone.
                  (Sociedade Espiritualista Edmundo Rodrigues Ferro
                  Adaptada por IYANIFÀ Gbemi Sola